terça-feira, 29 de abril de 2014

Positivo!

"La storia, la matematica
l'italiano, la geometria
la musica la la musica, la fantasia"


sexta-feira, 25 de abril de 2014

O Benfica e o 25 de Abril

No passado dia 20 de Abril o Marquês de Pombal acolheu milhares de benfiquistas eufóricos com a conquista do 33º campeonato.

Um pouco por todo o país assistimos a manifestações. Até eu, sportinguista, a torcer pela vitória do Olhanense (embora o SLB fosse o justo campeão, achava que uma derrota refrescaria a loucura encarnada e daria o consolo necessário aos azuis e verdes), me vi numa caravana, a buzinar, a gritar, a festejar e a comemorar a febre benfiquista (de quando em vez lá dizia que tinha sentimentos e que era sportinguista, blá, blá, blá mas isso, naquele momento, não importava para nada).

Quando chegamos a casa e tive noção do banho de multidão que brindava a comitiva da Luz vi como são curiosos os motivos que nos levam a sair de casa.

Cortes absurdos nos rendimentos, aumentos na despesa, situações de quasi-pobreza ou, até mesmo, de fome e miséria extremas, diminuição dos indicadores de qualidade de vida, emigração forçada, falência no sistema nacional de saúde, na qualidade da educação e nos serviços de acção social et cacetera cacetera... Significam o quê?

Nenhuma destas situações conseguiu motivar um séquito de milhares de pessoas a lutar por mudanças, a exigir mudanças em frente ao Marquês de Pombal, à Assembleia da República, ou noutro local qualquer que fundamentasse uma chamada de atenção para os órgãos de comunicação social e para os nossos representantes políticos, democraticamente eleitos.

Não sei se derrubar uma ditadura será tão esfuziante quanto ganhar um campeonato? E se gostássemos mais de viver bem do que de futebol?

Mas 11 em vez de 3 milhões nas ruas era o gáudio dos Zecas, dos Otelos, da Dianita e dos portugueses no geral…



quarta-feira, 9 de abril de 2014

Unsung Hero

De que forma vais tu olhar para a vida?


sexta-feira, 4 de abril de 2014

A Anunciação

Planos. Ora aí estava algo que ela já sabia ser difícil definir. Ter que colocar alguns no baú por tempo indeterminado pesa na alma e, sobretudo, pesa no ego.

As oscilações de humor entre a doçura e o azedo, entre a sensibilidade extrema e a impaciência biliar estavam a desgastá-la. Não se manuseiam sentimentos com a mesma agilidade que um malabarista atira bolas ao ar sem as deixar cair.
Hummmm afinal não tinha a coluna vertebral que pensava ter, afinal não tinha a inteligência emocional de que sempre gozara, afinal era só mais uma mulher frágil, como tantas outras.

Era tudo tão recente. Lembrava-se recorrentemente da primeira desconfiança, do primeiro teste, do primeiro susto, da primeira dúvida, do primeiro medo, da primeira escolha, da primeira incerteza, da segunda, da terceira, et cacetera cacetera…

Desassossego. Quando a vida começa a girar em torno de algo que pode não existir mas cuja existência a poderá fazer mudar para sempre. Será um estado de transe? O processo acção-reacção já não é tão linear, torna-se quase catatónico…

Sim, é aflição que lhe espelham os olhos. Terá tomado uma decisão? Há decisões para as quais não se pode simplesmente preencher uma tabela com os prós e os contras de cada alternativa e escolher a mais favorável. O que é uma pena, convenhamos.

Fé. O que raio é a fé? Não, não é esperança, nem acreditar, nem outro sinónimo qualquer dos anteriores. Já tive eloquência suficiente no meu vocabulário para a definir, devo-a ter perdido. A eloquência, não a fé, note-se.

Ela, pobre coitada, mulher de pouca fé, esqueceu-se que nem todas as decisões devem ser solitárias. O descontrolo hormonal justifica muita coisa.

Destino. Haverá um Deus que além de Todo-O-Poderoso gosta de brincar às marionetas nos seus tempos livres? As linhas das mãos revelam o nº de filhos, a longevidade na vida ou o sucesso na carreira? Não tenho audácia que chegue para acreditar nestas teorias da conspiração.


Voltemos a ela. Antes que pudesse tomar as rédeas da sua vida e sentenciar o fado de outros eis que decidem por ela. Ironia, ironia, ironia! Sofre com algo que nem sequer sabia se queria ou se não queria.

As mulheres são difíceis de entender. 
Algumas mais do que outras. 
Algumas circunstâncias são mais extremas que outras. 


A Anunciação, Leonardo Da Vinci

terça-feira, 1 de abril de 2014

Tenho uma grande constipação

"Tenho uma grande constipação,
E toda a gente sabe como as grandes constipações
Alteram todo o sistema do universo,
Zangam-nos contra a vida,
E fazem-nos espirrar até à metafísica.
Tenho o dia perdido cheio de me assoar.
Dói-me a cabeça indistintamente.
Triste condição para um poeta menor!
Hoje sou verdadeiramente um poeta menor.
O que fui outrora foi um desejo; partiu-se.

Adeus para sempre, rainha das fadas!
As tuas asas eram de sol, e eu cá vou andando.
Não estarei bem se não me deitar na cama.
Nunca estive bem senão deitando-me no universo.

Excusez un peu... Que grande constipação física!
Preciso de verdade e da aspirina."



(de Poemas/Álvaro de Campos)