sexta-feira, 24 de julho de 2015

Viena em 3 Dias #istonãoéumbloguedeviagens

Primeiro começo por apresentar-vos a cidade:

Terra de imperadores, compositores e artistas, a capital austríaca, situa-se nas margens do Danúbio e é uma mistura única de tradições imperiais e arquitetura moderna. Viena é famosa pelos seus eventos culturais, pontos turísticos, cafés, heurigen (típicas tabernas austríacas), tabernas de vinho e encanto especial.

Existem 3 palácios relevantes em Viena: Hofburg, Schönbrunn e o Belvedere.
Li em vários sítios que se tivéssemos que escolher deveríamos pagar para entrar nos dois primeiros porque são extremamente interessantes do ponto de vista arquitetónico e das coleções exibidas. Já em Belvedere podemos apenas apreciar de fora porque no interior a grande atração resume-se à obra de Klimt, Kokoschka e Schiele. Escrevo isto com alguma pena porque um dos meus quadros preferidos é “O beijo” de Klimt.

Temos vários km para palmilhar entre o Ringstrasse (onde se encontram alguns dos mais famosos e belos monumentos da cidade) ou o Museumsquartier (uma das maiores áreas culturais do mundo).
Posto isto vou oferecer-vos uma sugestão de roteiro que deve ser alterada conforme as vossas escolhas e desejos.

Dia 1:

Chegados a Viena, o melhor será livrarem-se das malas o mais rapidamente possível e depois podem almoçar numa tradicionalíssima casa austríaca chamada McDonalds.
De barriguinha cheia começa-se a exploração da cidade.

A considerar que já só se tem uma tarde livre, começaríamos pelo Palácio de Schönbrunn, porque é o ponto de interesse mais afastado da zona central da cidade.

O Palácio de Schönbrunn, antiga residência de verão do imperador, seduz com o belo jardim, a fonte de Neptuno e o jardim zoológico (o mais antigo do mundo).

O Schonbrunn é um dos locais mais visitados da Áustria e foi considerado Património Mundial da Unesco. O palácio passou por períodos de completo abandono, até que foi dado de presente à Imperatriz Maria Tereza, que o reestruturou até que chegasse ao que é hoje. A beleza dos seus jardins é o que mais impressiona e é um dos cartões-de-visita de Viena, sendo muitas vezes comparado aos Jardins de Versalhes.


No alto da colina podemos avistar a Gloriette (nome que habitualmente se dá a um edifício construído no topo de uma colina) pensada para ser um memorial à chamada Guerra Justa.

Após esta visita janta-se cedo e antes de serem tomados pelo cansaço podem visitar o Wiener Prater (gratuito) que fica aberto até à meia-noite.




O Prater é muito mais que um parque de diversões à beira-rio. Foi inicialmente usado pela realeza e nobres como um campo de caça durante séculos e a primeira menção ao parque data de 1162.

O parque era originalmente um lugar onde os trabalhadores e suas famílias podiam ir para descansar e relaxar. Depois disso, o Prater virou um palco de shows e feiras, onde deram espetáculos personalidades como Johann Strauss.

Desde que a roda gigante foi construída em 1897, a sua silhueta virou uma atração muito famosa de Viena e o símbolo do Prater. Diferente de várias outras rodas gigantes espalhadas pelo mundo, a Roda Gigante de Viena sobreviveu a muitas tragédias naturais, mas infelizmente, logo após a Segunda Guerra Mundial em 1945 a Roda pegou fogo e todas as suas 30 cabines foram destruídas. Mesmo que a cidade tenha sido muito destruída durante a guerra, a Roda foi uma das prioridades e foi reconstruída em tempo recorde, voltando a funcionar em 1947.

Dia 2:

Após o pequeno-almoço podem finalmente aventurar-se pelo centro de Viena.

Uma das primeiras paragens poderá ser a Catedral de São Estevão ou Stephansdom (gratuito), situada no centro histórico, é um dos mais importantes monumentos góticos do mundo. Na Sudturm (torre sul) está um gigantesco sino, chamado Pummerin, que foi feito com metal fundido de canhões turcos.

Muito próximo encontramos o Hotel Sacher onde podemos repor as energias com uma sachertorte, a torta de chocolate e alperce mais famosa do mundo.

Depois podem ver a sumptuosa Ópera Estatal de Viena ou Staatsoper como por lá lhe chamam. A Staatsoper foi a primeira grande obra da nova avenida, inaugurada já no longínquo ano de 1869 ao som de Don Giovanni do filho adotivo da cidade, Mozart.

Não muito longe da ópera encontrasse um dos mais carismáticos monumentos da cidade, o Edifício da Secessão. Não sei se se lembram mas a fachada deste edifício aparecia no genérico da série Rex J. A sua moderna arquitetura para a altura (e ainda para os dias de hoje) consiste num edifício quase sem janelas, de forma quadrada rematado por um globo de filigrama dourada sob o qual está escrito a divisa do movimento "Para cada época a sua arte, para a arte a Liberdade".

Por esta altura já será altura de almoçar e podem aproveitar para conhecer o Naschmarkt. O mercado fica muito perto da Secessão e lá encontram refeições, iguarias nacionais e internacionais, frutas e legumes e tudo exemplarmente organizado.



Após o almoço podem visitar o Palácio de Hofburg, de onde o império dos Habsburgo regia e aí podemos conhecer um pouco do dia-a-dia da corte. Aliás, encontramos vestígios dos Habsburgo um pouco por toda a cidade, é muito fácil encontrar uma referência à águia bicéfala, símbolo desta casa real.

Este gigantesco complexo de edifícios, que começou por ser um castelo medieval, cresceu ao longo dos anos e foi a residência dos imperadores de Habsburgo até 1918. Neste momento, incorpora os escritórios do presidente da Áustria, um centro de convenções e a Escola de Equitação Espanhola.

Há no Palácio de Hofburg vários museus abertos ao público, tais como os Apartamentos Imperiais, o Museu de Sissi e a Coleção de Prata Imperial.





Nas traseiras deste palácio temos a Heldenplatz onde se encontra o Neue Burg, um enorme edifício curvo de 1881, tendo sido o último pavilhão a ser acrescentado já ao vastíssimo palácio Hofburg. Construído numa época pouco propícia a estes devaneios, 5 anos após a conclusão desta parte do palácio caiu o Império Habsburg.

Perante esta joia da arquitetura desfilou ainda outro mau agouro para a humanidade, quando em 1938 Hitler sobe à sua varanda e proclama a anexação da Áustria à Alemanha, e desde então e nos 10 anos seguintes reinou a história da II Guerra.
Atualmente alberga a sala de leitura da biblioteca nacional e diversos museus.

Ainda na Ringstrasse podemos encontrar o Parlamento, de arquitetura neoclássica, teve que ser reconstruido em 1950 após a sua destruição na guerra. É rodeado por uma série de estátuas e fontes com alusões aos deuses gregos e romanos.

Terminamos o dia com o novo edifício da câmara municipal de Viena, Rathaus. Além das suas funções governativas este elegante edifício dá lugar a concertos de música clássica bem como a bailes nos seus sumptuosos salões ou jardins.

Dia 3:

Faria deste o dia mais descontraído.

Podemos começar o dia visitando a Karlskirche, é a maior catedral barroca a norte dos Alpes.

Desenhada pelo famoso arquiteto Bernhard Fischer von Erlach, os frescos foram pintados por Michael Rottmayre e as pinturas são dos pintores barrocos italianos Sebastiano Ricci e Giuseppe Antonio Pellegrini e do austríaco Daniel Gran. Pode-se fazer uma visita virtual no site oficial de Karlskirche (em alemão).







A menos de 1km encontramos o Palácio de Belvedere. Situado fora das muralhas da cidade, este edifício destinava-se a ser a residência de verão do príncipe Eugénio de Saboia. Hoje em dia, alberga a Galeria de Arte Austríaca, encontrando-se no centro de um enorme parque.

No edifício, situado no ponto mais alto do jardim, encontra-se a sala Terrena, que alberga as coleções de pinturas dos séculos XIX e XX e de Gustav Klimt.



O almoço poderá ser na zona do Museumquartier porque como a cidade é plana, percorrem-se largas distâncias em pouco tempo.

Durante a tarde podem ainda conhecer a “ilha” do Danúbio, os seus jardins e a sua torre, sentarem-se numa esplanada a degustar um bom vinho austríaco numa taberna local ou até conhecer o Neko: o café de gatos de Viena. Leu bem, é um café cujos anfitriões são gatos que interagem com quem os visita.

Para terminar a visita em pleno, à noite podem assistir a uma ópera.

Todas as fotos são da autoria de Marta Alves ou Renato Panda.

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